Um telemóvel novo para os pais ou para um familiar mais velho vem quase sempre com boas intenções e muitas pequenas frustrações: letra demasiado pequena, um ecrã cheio de ícones que nunca usam e uma chuva de mensagens de desconhecidos. Meia hora de configuração faz toda a diferença. Esta é a lista que eu sigo, tanto para telemóveis Android como para iPhone.
Os menus mudam um pouco de marca para marca e de versão para versão, por isso digo onde as opções costumam estar. Se não encontrar alguma, use a pesquisa no topo da aplicação Definições.
1. Aumentar tudo
É a mudança que as pessoas notam mais.
- Tamanho da letra. No Android costuma estar em Definições > Ecrã (às vezes em Acessibilidade), como "Tamanho do tipo de letra". No iPhone, procure em Definições > Ecrã e brilho > Tamanho do texto. Ativar o texto em negrito também ajuda.
- Zoom do ecrã. Aumenta os botões e os ícones, não só o texto. No Android chama-se muitas vezes "Tamanho do ecrã" ou "Zoom do ecrã"; no iPhone está na mesma secção Ecrã e brilho.
- Tempo até o ecrã desligar. Dê-lhe um pouco mais de tempo, para que não bloqueie a meio da leitura de uma mensagem.
Aumente um ou dois tamanhos acima do que acha necessário. Depois, entregue-lhes o telemóvel e peça-lhes que leiam uma mensagem em voz alta.
2. Simplificar o ecrã inicial
A maioria das pessoas usa cinco ou seis aplicações. Ponha essas no primeiro ecrã, grandes e fáceis de encontrar: telefone, mensagens, WhatsApp, câmara, fotografias e talvez a meteorologia. Tire tudo o resto do ecrã inicial (continua no telemóvel, só deixa de estar à frente).
Alguns telemóveis Android têm um modo simplificado incorporado, muitas vezes chamado "Modo fácil" ou "Modo simples", com ícones maiores e um aspeto mais limpo. Os iPhone mais recentes têm o "Acesso Assistido", um esquema bem mais simples que se ativa nas definições de Acessibilidade. Vale a pena experimentar, mas muitas vezes um ecrã inicial normal e arrumado chega.
Adicione as pessoas a quem mais ligam aos favoritos, com uma fotografia em cada contacto. Tocar numa cara é mais fácil do que andar à procura de nomes.
3. Contactos de emergência e dados médicos
- Ficha médica / informações de emergência. No iPhone, preencha a Ficha médica na aplicação Saúde. No Android, procure "Informações de emergência" ou "Segurança e emergência" nas Definições. Adicione contactos de emergência e, se estiverem de acordo, alergias, medicação e grupo sanguíneo. Estes dados podem ser vistos a partir do ecrã de bloqueio pelos socorristas, sem desbloquear o telemóvel.
- SOS de emergência. Tanto o Android como o iPhone têm uma forma rápida de ligar para o 112, carregando várias vezes no botão lateral ou de ligar, ou mantendo premida uma combinação de botões. Veja como funciona no telemóvel deles, ative a função e mostre-lhes.
4. WhatsApp bem configurado
Para muitas famílias, o WhatsApp é o telemóvel. Algumas definições tornam-no mais fácil e mais seguro:
- Videochamadas. Façam uma videochamada de teste juntos, para saberem que botão carregar e como aparece quando alguém lhes liga.
- Privacidade. Nas Definições > Privacidade do WhatsApp, ponha a fotografia de perfil, o "visto por último" e o "recado" em "Os meus contactos". Defina também quem os pode adicionar a grupos como "Os meus contactos", o que corta muitos grupos de spam.
- Silenciar chamadas desconhecidas. Também nas definições de privacidade (em Chamadas). As chamadas de WhatsApp de números que não estão nos contactos deixam de tocar, embora continuem a aparecer na lista de chamadas.
- Verificação em dois passos. Em Definições > Conta. Acrescenta um PIN que é pedido se alguém tentar ativar o WhatsApp deles noutro telemóvel. Aponte o PIN num sítio seguro, em casa.
5. Proteção contra burlas: algumas regras simples
Os burlões visam as pessoas mais velhas porque resulta. As definições ajudam, mas meia dúzia de regras claras ajudam ainda mais. As que eu sugiro:
- Não atender números desconhecidos. Se for importante, deixam mensagem. E nunca devolver uma chamada perdida de um número estrangeiro desconhecido.
- A burla do "Olá pai, olá mãe, mudei de número". Chega uma mensagem de um número desconhecido, de alguém que se faz passar pelo filho ou pela filha e que, pouco depois, precisa urgentemente de dinheiro para pagar uma conta. A regra é simples: antes de fazer seja o que for, ligar para o número antigo que já conhecem. Um filho verdadeiro não se importa de receber a chamada.
- Nunca partilhar um código. Nenhum banco, transportadora ou empresa vai pedir para lerem em voz alta um código que chegou por SMS ou WhatsApp. Quem o pede é um burlão.
- Na dúvida, ligar primeiro à família. Deixe claro que perguntar nunca é incómodo.
Os mesmos cuidados valem para o email, e tenho um guia curto sobre como identificar um email de phishing que vale a pena partilhar com eles.
6. Cópias de segurança automáticas
Os telemóveis perdem-se, caem e são substituídos. Garanta que as fotografias e os contactos sobrevivem a isso.
- Android: ative a cópia de segurança da Google nas Definições (normalmente em Google ou em Sistema > Cópia de segurança), e a cópia de segurança no Google Fotos.
- iPhone: ative a Cópia de segurança em iCloud e as Fotografias em iCloud, em Definições > [nome da pessoa] > iCloud.
- WhatsApp: tem a sua própria cópia das conversas em Definições > Conversas > Cópia de segurança. Ative-a também.
O espaço gratuito é limitado, por isso confirme que as cópias estão mesmo a ser feitas e não ficaram paradas com um aviso de armazenamento cheio.
7. Encontrar o meu dispositivo / Encontrar
Ative o "Encontrar o meu dispositivo" no Android, ou o "Encontrar" no iPhone. Se o telemóvel desaparecer, consegue ver onde está, pô-lo a tocar mesmo em silêncio, ou bloqueá-lo. Confirme que você (ou eles) sabe a palavra-passe da conta Google ou do Apple ID, porque é isso que vai precisar para usar a função. Aponte-a e guarde-a num sítio seguro em casa, não no próprio telemóvel.
8. Um bloqueio de ecrã que consigam mesmo usar
Um telemóvel sem bloqueio é um risco se se perder. Um bloqueio de que se esquecem sempre não serve de nada. O equilíbrio costuma ser:
- Um PIN de que se lembrem mas que não seja óbvio (nada de datas de nascimento nem 1234).
- Impressão digital ou reconhecimento facial por cima, para raramente terem de escrever o PIN.
- Evitar padrões se costumam esquecer-se deles, e apontar o PIN num sítio seguro em casa.
O último passo é o mais importante: sente-se com eles dez minutos e deixe-os experimentar tudo sozinhos, enquanto observa. Vai perceber logo o que ainda precisa de ser ajustado.
Se preferir não ser você a fazer isto, ou se vive longe, posso configurar o telemóvel com eles e explicar-lhes tudo com calma.